TEMA: Determinação da Renda e do Produto Nacional
Nossa aula foi, segunda-feira, 06/03/2023
Os objetivos dessa aula são apresentar o fluxo circular da
renda; mostrar o funcionamento do mercado de bens e serviços no fluxo circular
da renda; e identificar o lado monetário do fluxo circular de renda. Para tanto,
nos serviremos de aula expositiva com base em slides.
Material – CLIQUE AQUI para baixar os
slides dessa aula
Texto
Introdução
Na economia, todos os agentes econômicos são
interdependentes, ou seja, os produtores dependem dos consumidores para vender
seus bens e serviços, que dependem da atuação governamental e das empresas para
terem empregos, e assim sucessivamente. Além disso, o mercado de bens e
serviços (real) e o mercado monetário (nominal) devem estar em constante
sintonia para que as transações da economia não sejam prejudicadas e o ciclo
econômico seja positivo.
Fluxo circular da atividade econômica
A economia funciona como uma engrenagem — alguns agentes
vão alimentando os demais, e estes alimentam os anteriores; ou seja, tudo é
interdependente. Assim, se você mexe com um lado, provavelmente estará afetando
o outro, positiva ou negativamente. Toda ação econômica tem custos e
benefícios, visto que, na economia, as necessidades relativas a cada habitante
e sua faixa de renda são ilimitadas, e os recursos são escassos. Sendo assim, a
escolha de políticas públicas, por exemplo, requer uma ampla análise de
impactos nos setores individuais, que são distintos, para que a população
afetada tenha mais benefícios do que custos.
Mas, como você acha que se configura o fluxo circular da
renda ou da atividade econômica? Participam desse fluxo os agentes econômicos,
os bens, os serviços, os fatores de produção transacionados e o dinheiro que
paga tudo isso. Em uma economia de mercado, sem governo, seria só isso; mas não
é bem assim nas economias reais. Nestas, devemos considerar também as intervenções
governamentais com políticas e a entrada do comércio exterior.
Tendo essas observações em mente, podemos refletir sobre
quem são os agentes econômicos participantes do fluxo. De acordo com Troster
(2002), são eles:
Empresas: as empresas são aqui
representadas por pessoas jurídicas (não necessariamente os donos, que estão
nas famílias) e são as unidades econômicas de produção básica. Estas compram
fatores de produção e contratam mão de obra para produzir bens e serviços, para
a posterior venda dos mesmos.
Famílias: estas estão representadas
por todos os seres humanos, pessoas físicas, que consomem bens e serviços de
uma economia e também ofertam sua mão de obra para a produção dos mesmos. Cabe
salientar que, nos casos de donos de empresas, considera-se que eles alugam
capital para suas empresas, para que elas lhes devolvam em forma de lucros e
dividendos.
Os dividendos são parte do ganho obtido da empresa que atua
em mercado aberto, com ações. Assim, o acionista que investiu seu dinheiro pode
receber dividendos se a empresa obteve ganhos no período, ou pode não receber
se essa mesma empresa for reinvestir esse dinheiro na melhora da capacidade
produtiva.
Setor público: o setor público é
formado por pelo menos três níveis de governo — os municipais, os estaduais e a
administração federal (a União). Vale colocar que o governo, representado pelo
Executivo do país (prefeito, governador e presidente no nosso sistema
econômico), é que vai implementar alguma política macroeconômica nas regiões.
Para o Legislativo e o Judiciário cabe, de forma simples e respectivamente,
aprovar leis e aplicar as mesmas. Por vezes, as políticas macroeconômicas,
sobretudo as fiscais, demoram porque necessitam de aprovação do Legislativo e
de fiscalização, para ver se está dentro da lei, por parte do Judiciário. Vale
lembrar que o governo pode atuar também como produtor de bens públicos e
privados (se houver empresas públicas na economia) e comprador no mercado de
bens, serviços e fatores de produção.
Comércio exterior: em
economias abertas, o comércio exterior representa todos os países que querem
importar (comprar) e exportar (vender) para o nosso país. Nas economias capitalistas
atuais, as políticas comerciais de uma nação com outras nações podem ajudar
muito no escoamento da produção nacional, mas, por outro lado, criam maior
concorrência para os produtores internos. É por isso que, na balança comercial,
as exportações são positivas e as importações são negativas. No entanto, muitos
economistas (como David Ricardo) defendem que isso faz com que aumente a
eficiência produtiva e a melhor alocação de recursos naturais (tão escassos em
várias regiões).
Depois de apontar os agentes econômicos participantes do
fluxo de renda, falta ainda explanar sobre os bens e serviços e os fatores de
produção que participam desse fluxo. Segundo Samuelson (2012), são eles:
■ Fatores de produção: são
todos os elementos produtivos que ser vem para a produção de bens e serviços,
como terra (de onde deriva a matéria-prima e os estoques), mão de obra
e bens de capital (máquinas e equipamentos, por exemplo). Também podem ser
chamados de insumos de produção.
■ Bens: um bem é considerado
econômico e, portanto, entra no fluxo circular da atividade econômica do país,
quando tem relativa escassez e há demanda por ele. Ele pode ser público, quando
todos podem usufruir do mesmo, como uma praça, ou pode ser privado, quando o
consumo por uma pessoa elimina outra de usufruir do mesmo. Pode ser um bem intermediário
quando vai ser utilizado para a produção de outro bem, ou pode ser um bem
final, quando chega ao consumidor final. Veja que, nesse caso, a laranja pode
ser um bem intermediário, se for utilizada por uma fábrica de suco de laranja,
e pode ser um bem final, se comprada na feira por você para consumi-la. Logo,
para fazer a conotação de bem intermediário ou bem final, depende de como ele é
utilizado.
■ Serviços: a atividade de serviços,
apesar de não ser visível aos olhos, é muito importante para a economia, pois
se destina também a satisfazer necessidades. De acordo com Troster (2002), o
trabalho que não é destinado à produção de bens visa à produção de serviços. Os
serviços podem estar relacionados à distribuição de bens e aos serviços educacionais
(como professores), culturais (artistas), de saúde (médicos) e tantos outros.
■ as empresas vendem bens e serviços para as famílias;
■ as famílias alugam os serviços produtivos para as
empresas;
■ as famílias pagam pelos bens e serviços que compraram das
empresas;
■ as empresas pagam pelos fatores produtivos que compraram
em forma de salários, juros, rendas, lucros e dividendos para as famílias.
O mercado real se refere à produção em si de bens e
serviços e vai refletir o Produto Interno Bruto (PIB) da economia — a produção
nacional propriamente dita. O mercado monetário mostra a movimentação
financeira devido à realização das transações entre os agentes econômicos,
conforme leciona Vasconcellos (2002).
Veja que ambos devem estar em sintonia: para comercializar
diversos tipos de bens e serviços, você precisa de dinheiro (seja em papel ou
escritural) e, quando se tem dinheiro sem muita produção, pode-se gerar a
chamada inflação (aumento no nível geral de preços). Então, qualquer movimento
por parte de empresas e/ou por parte dos consumidores pode afetar a economia no
todo, pois são interdependentes.
Outra relação que Samuelson (2012) coloca e é muito
importante é que o arco superior do fluxo da Figura 1 representa o mercado de
bens e serviços finais, e o arco inferior mede os custos dos fatores de
produção. Nas contas nacionais, esses valores serão igualados, ou seja, são
duas formas distintas de se medir o PIB do país, que, no fim, devem ter o mesmo
resultado.
Você verá agora como se comportam os mercados de bens e
serviços (real) e o monetário (nominal). Você vai perceber que a maior
preocupação por parte do governo deve ser a manutenção da estabilidade da
economia por meio desses mercados e, também, o ajustamento do nível de
produção, para que este seja crescente e distribua da melhor forma possível os
recursos escassos.
Mercado real
Como pode-se observar, o mercado de bens e serviços é de
suma importância para a economia. Por meio dele viabiliza-se a produção e, por
consequência, a maior ou menor oferta de empregos em curto prazo na economia de
um país.
O mercado real se origina da demanda e da oferta agregada
de bens e serviços. A demanda agregada é representada pela quantidade de bens e
serviços que as famílias e os governos desejam consumir em uma economia. Usa-se
a conotação agregada por se tratar de todos os bens e serviços de uma economia,
e não de um só setor; abrange, portanto, o conjunto da economia.
Essa demanda depende, de acordo com Samuelson (2012), do
valor total que os diferentes setores da economia estão dispostos a gastar de
sua renda. Essa disposição vem também, com frequência, das políticas
macroeconômicas feitas pelo governo: sejam políticas monetárias, de aumento do
crédito, por exemplo, ou mesmo políticas fiscais de diminuição de imposto de
renda. A demanda pode também ser derivada do próprio avanço da economia, que
gera mais renda para a população (e não somente para o governo).
Samuelson (2012, p. 336) observa ainda que, nos componentes
da demanda agregada, estão inclusos:
■ Consumo (C): consumo das famílias com automóveis e
geladeiras (que são bens duráveis), por exemplo, com alimentos e vestuários
(bens não duráveis) e com serviços.
■ Investimento (I): com construção de casas, abertura de
empresas, aumento na capacidade produtiva. Representa o consumo posterior ou futuro,
de acordo com Mankiw (2015).
■ Compras do governo (G): para construção de bens públicos,
despesas de professores de escolas públicas e tantas outras.
■ Exportações líquidas (NX): referem-se à diferença entre
as vendas (exportações: X), feitas por empresas do país para o exterior em
valores monetários, e as compras (importações: N). Representa o consumo líquido
do exterior.
Ainda, de acordo com Samuelson (2012), a demanda agregada é
afetada pelos preços dos bens e serviços ofertados e por fatores exógenos, como
guerras e condições climáticas.
De acordo com Mankiw (2015, p. 77):
O PIB ou renda de uma economia aberta (com comércio
exterior) pode ser representado por estes componentes da demanda agregada que,
teoricamente, tem que se igualar com a oferta agregada para que a economia
esteja em equilíbrio. Então, guarde bem esta identidade, pois seus componentes
são muito citados na Macroeconomia: Y (PIB) = C + I + G + NX (X – N).
Já a oferta agregada, segundo Samuelson (2012), está
relacionada à quanti dade de bens e serviços que as empresas estão dispostas a
oferecer no mercado em dado período. Se os preços de mercado estiverem altos,
as empresas tendem a querer vender o máximo que puderem; o problema, nesse
caso, é que os consumidores não vão querer consumir muito mais.
Nesse contexto, entram em foco também os custos de
produção: estes afetam enormemente a oferta maior ou menor da economia e
dependem da tecnologia e da infraestrutura disponibilizada para a produção no
país. O país terá maior ou menor capacidade de produção, então, conforme a
disponibilidade de fatores de produção (insumos) e também a possibilidade de
gerar conhecimentos que melhorem a eficiência da combinação desses insumos, conforme
leciona Samuelson (2012).
Assim, a oferta e a demanda agregada de bens e serviços, em
conjunto, vão determinar o PIB do país, o emprego, a inflação e o nível de
comércio exterior em uma economia aberta, ainda conforme Samuelson (2012).
Embora nem tudo esteja em perfeito equilíbrio como no gráfico da Figura 2, esse
gráfico nos mostra que, na economia, tudo tem que ter contrapartida entre
oferta e demanda agregada por bens e serviços.
Produto Interno Bruto (PIB)
O PIB de um país representa, em valores monetários, todos
os bens e serviços finais novos produzidos no território nacional em
determinado período de tempo, conforme leciona Mankiw (2015). Sendo assim,
vamos explorar um pouco mais esse conceito.
A fim de um entendimento mais aprimorado, o cálculo do PIB
aqui apresentado será feito por meio de bens e serviços finais. Por que isso?
Porque no valor dos bens e serviços finais já consta o custo de tudo o que foi
utilizado para produzi-lo, sobretudo os valores dos bens intermediários que
foram transformados no processo produtivo.
Outro aspecto importante destacado nesse conceito de PIB é
o fato de só se contar bens e serviços finais novos. Isso ocorre porque os bens
usados já foram contados no PIB quando eram novos. Logo, pode-se supor
novamente que seria uma dupla contagem incluir bens usados no cálculo do PIB,
segundo Mankiw (2015).
Agora, vamos supor que houve um acréscimo no valor de seu
imóvel, por exemplo, devido a reformas feitas. Nesse caso, o valor agregado ao
imóvel deve contar no PIB e deve ser declarado para fins de impostos e/ou por
meio de notas fiscais dos materiais e da mão de obra.
No mesmo conceito de PIB, pode-se observar também o trecho
que menciona “tudo o que é produzido no território nacional”. Isso significa
que entra no cálculo as produções de bens e serviços de empresas nacionais ou
estrangeiras que estejam em solo do país analisado, segundo Dornbusch e Fischer
(2009).
É importante salientar que o mercado informal não entra no
cálculo do PIB. Por isso, conforme Mankiw (2015), o PIB não é o medidor mais
perfeito de atividade econômica; mas, se usado de forma correta, comparando-o
de um ano para o outro, pode ser um forte indicador da produção de um país.
Para calcular o PIB de um país, deve-se somar as receitas
de todos os setores da economia. A receita de um setor, de uma forma
simplificada, tem a seguinte forma:
RT = P × Q
Onde:
■ RT: receita total
■ P: preço de mercado do bem ou serviço
■ Q: quantidade produzida
Assim, para o cálculo do PIB nominal, devemos somar as RTs
de todos os bens e serviços finais de uma economia em determinado período de
tempo:
PIB = RT1 + RT2 + RT3 + RT4
A quantidade de receitas somadas depende da quantidade de
bens e ser viços finais em uma economia. É importante salientar que tudo é
expresso em valores monetários.
Exemplos de cálculo de PIB do país Fictício:
Suponha um país chamado Fictício, que produza apenas arroz
e milho. Devemos, então, somar as receitas do arroz e do milho em determinado
período de tempo, em valores monetários ou unidades monetárias (UM).
PIB do país Fictício em 2016:
PIB (UM) = (preço do arroz × quantidade de arroz em kg) +
(preço do milho × quantidade de milho em kg)
Substituindo-se os valores, teremos:
PIB (UM)2016 = (4 × 1000) + (5 × 200) = 5.000
Resultado: o PIB nominal do país Fictício é de 5.000 UM em
2016.
Se você quer comparar com o PIB de 2017, deve ter os
valores correspondentes. PIB do país Fictício em 2017:
PIB (UM)2017 = (4,5 × 1.200) + (6 × 200) = 6.600
Resultado: o PIB nominal do país Fictício em 2017 foi de
6.600 UM, 32% maior do que em 2016, o que significa que a produção nacional
cresceu muito.
Atenção: as unidades monetárias podem ser expressas em
qualquer moeda; no caso do Brasil, são expressas em reais (R$).
Mas será que só o resultado do PIB nominal é suficiente ou
eficiente para se verificar a atividade econômica? A resposta é não. No PIB
nominal constam as mudanças de preços, porque ele é calculado a preços
correntes, o que não reflete exatamente o crescimento da produção. Perceba que,
se a quantidade dos bens não mudasse e os preços dobrassem, pareceria que a produção
dobrou, o que não é verdade — só a inflação aumentou, conforme aponta Mankiw
(2015).
Para o indicador ficar mais correto, devemos tirar a
influência dos preços por meio do cálculo do PIB real. O PIB real reflete a
mudança da produção nacional mantendo-se os preços constantes, ou seja,
utilizando um ano base.
No exemplo do país Fictício, suponha que o ano base seja
2016. Assim, os preços para todos os anos será de 2016 (como se não se
alterasse), mudando apenas a quantidade. Logo:
PIB (UM)2016 = (4 × 1.000) + (5 × 200) = 5.000
PIB (UM)2017 = (4 × 1.200) + (5 × 200) = 5.800
Com esse cálculo do PIB real, você percebe que a produção
de Fictício cresceu 16% de 2016 para 2017, o que é bem mais plausível para
demonstrar o aumento da produção do que o PIB nominal.
Outra forma de mostrar o PIB é por meio do PIB per capita
ou renda per capita. Este utiliza o valor do PIB por período e divide pela
população no mesmo período. Assim, pode-se perceber se o aumento do PIB foi
devido a um crescimento da população ou se foi realmente um aumento da
produtividade por habitante.
Ainda assim, para verificar o bem-estar econômico de uma
nação, é necessário analisar a sua distribuição de renda, visto que o PIB per
capita só faz o cálculo de uma média do crescimento por habitante no país, o
que não condiz com países que têm uma distribuição de renda muito desigual, conforme
Troster (2002).
Mercado monetário
O mercado monetário, assim como o mercado real, analisa a
demanda e a oferta agregada de moeda. A grande diferença aqui é a verificação
da demanda e oferta de dinheiro para a realização das transações econômicas de
consumo, produção e investimento produtivo e financeiro.
O que é moeda? Moeda é o ativo com maior liquidez, que
serve imediatamente para realizar transações e é de aceitação geral. A liquidez
se refere à pronta utilização da moeda para trocar por qualquer bem ou serviço,
conforme Mankiw (2015).
A demanda de moeda
A demanda de moeda por parte dos agentes econômicos
corresponde à posse de dinheiro tanto em mãos quanto em depósitos à vista nos
bancos comerciais (bancos que têm conta corrente), conforme Samuelson (2012).
Mas, por que as pessoas demandam, isto é, procuram
dinheiro? De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), os principais motivos
são:
■ Demanda para transações: os agentes econômicos precisam
de dinheiro para realizar suas atividades e se alimentar no dia a dia. Logo,
esse motivo envolve desde alimentação, roupas, mobilidade e tantas outras
supostas necessidades de comprar coisas.
■ Demanda por precaução: refere-se a uma reserva monetária
para fazer frente a alguma emergência que se venha a ter sem estar esperando.
■ Demanda para especulação: nesse caso, as pessoas demandam
esse dinheiro com a expectativa de fazer aplicações que rendam ainda mais moeda
no futuro.
Os tipos de demanda por moeda dependem muita das classes de
renda em que as pessoas físicas e jurídicas estão inseridas: classes sociais
com pouca renda tendem a demandar mais moeda para consumo e precaução; já as
classes com um pouco mais de renda tendem a demandar para aplicações
financeiras em títulos públicos, por exemplo, conforme Vasconcellos e Garcia
(2014).
Nesse sentido, segundo esses autores, é importante ficar
claro que a economia se movimenta muito no curto prazo, dependendo da taxa de
juros de mercado — que John Maynard Keynes chamava de preço da moeda. Quanto maior
essa taxa, mais os agentes econômicos especulam, e quanto menor essa mesma
taxa, mais as pessoas demandam dinheiro para transações e precauções.
A oferta de moeda
A oferta de moeda ocorre para atender a população frente às
suas necessidades. A emissão da moeda no Brasil é feita pelo Banco Central do
Brasil (BCB), que tem o poder de executar a política monetária nacional dada
pelo Conselho Monetário Nacional, um órgão normativo do Sistema Financeiro
Nacional (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2018).
Além do Banco Central, os bancos comerciais, por meio da
multiplicação monetária, têm o poder de criar moeda bancária ou escritural. Ao
emprestar parte daquilo que recebe em depósitos à vista, o banco comercial faz
com que mais gente tenha dinheiro, sem necessariamente o BCB ter mandado
imprimir mais moeda. Assim, o Banco Central, muitas vezes, só precisa mexer em
seus instrumentos de política monetária para que a economia tenha maior ou
menor quantidade de meios de pagamentos em circulação.
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2014), os meios de
pagamento — representados aqui pelo dinheiro que as pessoas têm em mãos mais os
depósitos à vista — que estão nos bancos comerciais (moeda manual e
escritural) representam a liquidez imediata do mercado monetário. É o chamado
M1 da economia. Ainda conforme Vasconcellos e Garcia (2014, p. 87), o aumento
ou a diminuição da quantidade de moeda (dinheiro) na economia para realizar transações
no curto prazo depende de alguns fatores:
- Aumentos de empréstimos ao setor privado: aqui há a
criação de moeda, pois os bancos comerciais tiram dinheiro de suas reservas
para emprestar para as pessoas e estas tendem a consumir;
- Quando as pessoas pagam seus empréstimos no banco: é
considerada destruição de moeda junto ao público, visto que as pessoas, em vez
de utilizar dinheiro para consumo, pagam suas dívidas e movimentarão menos o Mercado
de bens e serviços (o banco fica com mais dinheiro em caixa);
- quando as pessoas tiram o dinheiro do depósito à vista e
o colocam em aplicações financeiras que rendem juros: é considerado destruição
de moeda, pois o dinheiro da aplicação financeira não pode ser usado
imediatamente como meios de pagamento (fica com pouca liquidez).
Pode-se observar que, embora pareça que algo seja bom em
termos financeiros, pode não ser bom para a economia no todo — o fluxo circular
da economia funciona assim. Se todos no conjunto agirem da mesma forma, criam-se
faltas ou excessos de dinheiro na economia.
Para tentar controlar essas mudanças no mercado monetário,
o Banco Central se utiliza de políticas monetárias, que vão influenciar nessa
criação e destruição de moedas, conforme Mankiw (2015). As políticas monetárias
são executadas pelo Banco Central e visam a controlar a oferta monetária na economia,
utilizando-se de vários instrumentos, dentre os quais se destacam, segundo
Vasconcellos e Garcia (2014) e Samuelson (2012):
■ Controle das emissões de moedas: por meio desse controle
feito pelo BCB, é possível ajustar a quantidade de moeda emitida à necessidade
da população e/ou atendendo aos objetivos macroeconômicos.
■ Operações com taxas de redesconto: envolvem
principalmente emprés timos que o Banco Central faz aos bancos comerciais. Ao
fazer essas operações, o BCB pode colocar menos ou mais moeda em circulação.
Você se pergunta: como? Se o BCB baixar as taxas de juros desses empréstimos
aos bancos comerciais, por exemplo, pode ser que queira colocar mais moeda em
circulação, pois os bancos pegam mais dinheiro emprestado dele (que está com a
taxa baixa) e tendem a emprestar mais ao público em geral. O contrário também
pode ser verdadeiro.
■ Operações no mercado aberto (compra e venda de títulos
públicos): refere-se à recompra e à venda de títulos que os governos podem
emitir. No Brasil, a maioria dos títulos públicos está atrelada à meta da taxa
Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia); quando esta está alta, a
tendência é que mais títulos sejam comprados pelas pessoas físicas e jurídicas
(tirando moeda de circulação) e menos seja consumido em bens e serviços. Logo,
dependendo do objetivo do governo, essa meta de taxa pode ser maior ou menor.
■ Depósitos ou reservas compulsórias: quando você realiza
um depósito em um banco em conta corrente, o que acha que ocorre com esse di
nheiro? Ele pode ser emprestado para outras pessoas pelo banco, afinal, esse
último é um intermediário financeiro. Mas tudo depende da taxa de reserva
compulsória estipulada pelo BCB. Essa taxa é uma parte do seu dinheiro que fica
retido junto ao BCB, não podendo ser emprestada. Além de ser uma garantia para
o sistema financeiro nacional, o governo pode utilizar a mesma como instrumento
de política monetária: quanto maior essa taxa, menos dinheiro os bancos
comerciais podem emprestar, e menos moeda haverá em circulação.
Por meio desses instrumentos, o governo pode, em curto
prazo, tentar alcançar objetivos macroeconômicos. Se quiser melhorar a produção
nacional, o governo pode facilitar para que tenha mais moeda em circulação:
diminuindo a taxa de juros e/ou diminuindo a taxa de reservas compulsórias e
utilizando outros instrumentos (como acesso ao crédito para públicos
específicos). São as chamadas políticas monetárias expansionistas.
De outro modo, se o objetivo emergente for baixar a
inflação, o governo pode diminuir a quantidade de moeda em circulação no curto
prazo para que as pessoas consumam menos, aumentando taxas de juros, reduzindo
a emissão de moedas e/ou aumentando a taxa de redesconto, dentre outros
instrumentos. São políticas monetárias chamadas de políticas contracionistas.
Observe que todos esses movimentos mexerão com os ciclos
econômicos do fluxo circular da renda, conforme Samuelson (2012):
■ Se forem diminuídas as taxas de juros ao consumidor em
curto prazo, por exemplo, isso faz com que as pessoas tenham mais dinheiro para
consumir, e esse consumo maior pode gerar mais produção, o que pode melhorar o
número de empregos.
■ Se, ao contrário, forem reduzidos os meios de pagamento
no curto prazo na economia, isso pode fazer com que as pessoas consumam menos
e, assim, ocorra uma retração na produção e no emprego. Mas é importante deixar
claro: no curto prazo, isso pode ser importante (ou pode ser o preço a ser
pago) para estabilizar a economia, para que o ciclo seja positivo no longo
prazo.
Outros fatores de desenvolvimento da economia — mudanças estruturais — podem mexer e modificar a dinâmica dos ciclos econômicos de longo prazo. São eles: mudanças na educação — para que as famílias fiquem capacitadas para novas funções; alterações na infraestrutura da economia — para que as empresas possam escoar mais facilmente a produção; e tantas outras que alteram a dinâmica de produtores e consumidores em períodos mais longos e de forma mais consistente.
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ATIVIDADE ENCERRADA EM 23/04/2023
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